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Conselhos para um CFO: Transações de alto valor usando derivativos

Autor: Claudio Morales

Data: 29 de dezembro de 2020

O que faz um CFO (Diretor Financeiro) corporativo ao enfrentar transações de alto valor, com derivativos para proteger uma exposição a taxas de juros e de câmbio associadas a uma dívida de médio prazo que financia um projeto de investimento?

Muitas vezes, as possibilidades de financiamento oferecidas pelos bancos não se adaptam às necessidades da empresa no que se refere a perfil de moeda funcional e taxas de juros. É nesses casos que as companhias tentam fazer hedge para os riscos associados à estrutura de financiamento através de derivativos como opções, swaps cambiais e contratos a termo.

Em primeiro lugar, é essencial considerar tanto a liquidez e a profundidade do mercado, quanto o tamanho dos balanços dos bancos que serão selecionados como contrapartes na transação.

Depois, nós recomendamos dar atenção aos seguintes parâmetros para conseguir um spread razoável no fechamento da operação. É importante lembrar que as contrapartes financeiras (bancos), no caso de derivativos complexos, cobram o spread de formas diferentes. Isso torna imprescindível o cálculo da valorização a mercado (MtM) das propostas econômicas (preços) dos derivativos.

Os parâmetros que devem ser considerados são:

– Ter pelo menos 3 bancos dispostos a enviar uma cotação, tanto na cidade em que opera a companhia, quanto em Nova York e Londres.

– Combinar com os bancos o formato da cotação enviada, buscando que as margens cobradas por liquidez, crédito e slippage sejam visíveis.

– Propor aos bancos opções de fechamento com antecedência para fechar com a taxa de câmbio média (por exemplo, FIX na Colômbia e Dólar Observado no Chile) ou fechamentos “outright” por tranches, limitadas a uma quantia em USD, que sejam facilmente absorvidos pela liquidez do mercado.

– Realizar simulações de fechamento em mercado aberto para verificar que o banco esteja sendo transparente com as variáveis de mercado observáveis.

Finalmente, podemos salientar que normalmente a assinatura dos documentos legais com os bancos exige um trabalho árduo, pois tudo o que se relaciona com garantias tem um papel determinante no fechamento, considerando as possíveis chamadas de margem que poderiam requerer fluxos de caixa não considerados inicialmente.

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